[SuaClínicaDeEstéticaCAST #002] Marina Responde: Microagulhamento

As maiores dúvidas (respondidas) sobre Microagulhamento

No episódio de hoje, eu separei as perguntas mais frequentes que me fazem sobre Microagulhamento. Confira este conteúdo totalmente prático e que você pode aplicar imediatamente. Ouça o podcast, leia o artigo, e poste suas novas dúvidas nos comentários, que eu irei gravar um novo episódio respondendo.

Vamos lá!

1. Cosméticos indicados e contraindicados nas primeiras 12, 24 e 48 horas

Vamos trazer a linha de raciocínio do que está acontecendo nesta pele pós-microagulhamento:

Assim que rolamos o equipamento, temos a formação de canais que, segundo pesquisas, se fecham completamente entre 15 e 24 horas. Então, nesse tempo não devemos aplicar: maquiagem, protetor solar, ácidos queratolíticos e argilas. Ou seja, todo produto que necessite ser retirado, ou que tenha sua função apenas na superfície da pele está contraindicado.

A pele sofreu uma injúria e temos um processo inflamatório instalado que é bem-vindo quando nosso objetivo é produzir colágeno. Então, qualquer ativo anti-inflamatório ou calmante nesse momento pode comprometer os resultados. Portanto, a estratégia é complementar. Se apliquei produtos rejuvenescedores, indico ao paciente os mesmo ativos home care para complementar o tratamento.

A formação dos canais promove aumento da TEWL. Ativos hidratantes e que recuperem o manto hidrolipídico são muito bem-vindos. Aqui você pode finalizar a sessão com máscaras líquidas. Gosto muita da máscara Oxygen, da Bel Col, e das máscaras de celulose com ativos hidratantes e reconstrutores.

Como característica do processo inflamatório, temos ardor e vermelhidão, o que traz desconforto nas primeiras horas. Aplicar água termal sempre que sentir necessidade ajuda a melhorar esse desconforto.

Entre 2h e 4h após o procedimento, é indicado lavar o rosto com água fria e sabonete neutro, e já aplicar o cosmético home care que pode ser composto por antioxidantes, hidratantes e vitaminas. Isso assegura a manutenção e entrega de ativos necessários para o processo de regeneração.

Após 24h já está liberado uso de protetor e maquiagem. Sou a favor de evitar maquiagem durante o tratamento, trocando por protetores com base, por exemplo.

2. O microagulhamento pode ser aplicado em todos os tipos de pele?

Sim. Se aplicado corretamente, o microagulhamento não causa nenhum efeito adverso em peles com fototipos mais altos. Devemos lembrar que fototipos mais altos não recebem bem agressões excessivas. Então, o uso de agulhas menores e pressão leve se faz necessário.

A grande vantagem do microagulhamento é que ele mantém a camada córnea preservada, o que diminui muito os riscos de hiperpigmentação pós inflamatória, além de ser um recurso que não emite calor, comparado com lasers dermatológicos que são contraindicados para esse tipo de pele.

3. Como saber quantas sessões são necessárias?

A avaliação nos traz clareza da necessidade de cada pele, e dá também a visão de um prognóstico. O número de sessões vai depender da situação em que a pele se encontra, da necessidade de um preparo mais curto ou mais longo, das disfunções associadas e dos hábitos desse paciente. São inúmeras variáveis que, conforme a sua prática clínica, você vai tendo mais habilidade para determinar um número de sessões inicial.

Eu sempre tenho em mente realizar um tratamento em blocos. Eu determino um número de sessões iniciais e reavalio. Sempre digo ao paciente que pode ser que precise de mais um bloco, ou podemos evoluir para um manutenção. Lembre-se sempre de que o tratamento nunca acaba. É necessário cuidar dessa pele sempre (e para sempre). O paciente que entender essa dinâmica sempre estará com você e confiará no seu trabalho.

E um conselho final: você só ficará melhor em determinar um prognóstico e um tratamento certeiro quando se dedica a evoluir na sua avalição e nos seus conhecimentos. Portanto, paciência, dedicação e uma avaliação criteriosa farão de você uma profissional melhor a cada avaliação.

4. O microagulhamento pode ser feito depois de uma limpeza de pele, ou somente após uma semana?

O melhor intervalo é 01 semana, desde que esse paciente já pratique hábitos de cuidados diários com a pele e não necessite de um programa de preparação para receber a técnica. Porém, isso dificilmente acontece. Geralmente, depois da limpeza ainda há necessidade de executar outros procedimentos para recuperar a pele.

5. É obrigatório trabalhar com monodoses estéreis?

É o mais indicado. Hoje temos produtos específicos para microagulhamento, todos em monodoses. Desta forma, reduzimos os riscos de contaminação e alergias, já que abrimos canais que dão passagem livre a qualquer componente. Uma dica é: se sobrar, entregue ao paciente para que ele utilize após a primeira lavagem do rosto.

6. É necessário microagulhar todo o rosto, quando a queixa do paciente é apenas um local específico?

Na minha prática clínica, eu sempre faço o rosto todo, para obter uniformidade dos resultados. Com a caneta, podemos dosar a injúria e focar em áreas mais necessitadas, enquanto em outras promover leve estímulo. Com o roller também conseguimos quando dosamos a pressão aplicada.

Independentemente, sempre trabalhe toda a região, inclusive colo e pescoço, e, possivelmente, mãos. Assim, você dá algo a mais para o cliente, e aproveita ao máximo as agulhas.

7. Já foi comprovado que microagulhamento é melhor que jato de plasma?

Até o presente não existe nenhum estudo comparativo entre microagulhamento e jato de plasma que comprove qual técnica tem o melhor resultado. Pouco se publicou sobre jato de plasma na Estética. O que encontramos são estudos da atuação na dermatologia, porém com aplicações com as quais não podemos atuar.

O microagulhamento, por outro lado, já é uma técnica que tem embasamento e uso nas disfunções estéticas com muitas vantagens comprovadas quando comparadas a técnicas ablativas e que promovem aumento de temperatura no tecido.

Portanto, devemos nos guiar pela fisiologia e mecanismo de ação das duas técnicas, que são distintas. Além, é claro, de ter em mente que o que define a escolha dos recursos e da conduta é a avaliação.

Uma questão de critério…

Diante disso, apresentarei a minha opinião com base na minha decisão clínica, sempre respeitando o mecanismo de ação e interação do recurso com a pele avaliada. Na realidade, a pergunta correta a se fazer não é qual técnica é melhor; e sim:

Qual técnica vai proporcionar melhores resultados ao meu cliente, sem provocar efeitos colaterais ou qualquer lesão desnecessária e consequentes transtornos?

Em primeiro lugar, para decidirmos entre uma técnica e outra, devemos avaliar as necessidades reais do tecido, e a necessidade de indicar uma técnica mais ablativa ou não. Sempre se pergunte:

Essa pele necessita de qual magnitude de estímulo?

Essa pele suporta maiores agressões?

Esse paciente tem condições, dentro de suas atividades de vida diária, de cuidar de um tecido mais ferido?

Sua atividade profissional permite?

Enfim, são inúmeras as questões que devemos avaliar antes de decidir usar qualquer tipo de técnica, pois o objetivo final é o resultado. Não se deve utilizar algo só porque está na moda, ou porque é “mais forte”.

Uma comparação

Comparando as duas técnicas, leve em conta as seguintes questões:

Vou trabalhar áreas pequenas, e o paciente tem condições de se abster do sol, controlar a dor, cuidar do tecido de maneira metódica?

Nesse caso, posso lançar mão do jato de plasma nas regiões focais, como rugas mais profundas e pálpebras. Depois de um intervalo longo de hidratação e regeneração do tecido, entro com o microagulhamento, trabalhando toda a região de face, pescoço e colo. Lembre-se: o jato não é indicado para grandes regiões, nem para peles com tendência a hiperpigmentação.

O paciente não está disposto a passar por um procedimento mais agressivo?

Use o microagulhamento, que com certeza terá ótimos resultados. Acredito na associação das técnicas, sempre lembrando dos pontos expostos acima.

O microagulhamento é uma técnica mais ampla e com indicações para todos os tipos de pele e disfunções. Já o jato é mais limitado e deve ser trabalhado pontualmente.

A grande diferença entre os dois é que o microagulhamento mantém a camada de proteção cutânea íntegra, o que sinaliza o melanócito de forma positiva. Já o jato promove uma destruição tecidual, o que pode gerar cicatrizes, além de manchas hipercrômicas, dependendo da profundidade atingida. Portanto, cautela, avaliação, senso crítico e raciocínio clínico são pré-requisitos para eleger a melhor técnica.

8. Como preparar a pele, e quais produtos usar no pós?

O pré

Aqui gosto de trazer a ideia da dinâmica de uma pele saúdavel, para que possamos entregar exatamente o que a pele precisa.

Quais são as suas características?

Como ela se comporta?

Do que ela precisa para se manter saudável?

O que uma pele necessita para desempenhar suas funções de maneira otimizada?

  • Nutrição (vitaminas e oligoelementos)
  • Hidratação (água, componentes de hidratação natural)
  • Proteção e neutralização de radicais livres (antioxidantes e oligoelemnetos)
  • Estímulo de suas funções (eletroterapia)

Com base nesse raciocínio, a melhor técnica pré-tratamento é nutrir, hidratar, proteger e estimular a produção de energia celular, para que a pele responda ao estímulo, se regenere, e entregue os resultados esperados.

O pós imediato

Já no pós imediato ao microagulhamento, leve em conta o seu objetivo:

É claremaento (tranexâmico, vitamina C, resveratrol)?

Rejuvenescimento (fatores de crescimento)?

Revitalização (PCA, vitamina E, aminoácidos, ômegas, ácido hialurônico)? Melhorar cicatrizes de acne? Estrias (fatores de crescimento, preenchedores)?

O que é necessário corrigir cada disfunção?

Lembre-se de que, para o microagulhamento, o ideal é escolher produtos base gel ou serum. Hoje, as melhores linhas dermocosméticas do mercado já apresentam propostas para cada disfunção, com ativos específicos, e falaremos sobre cada ativo numa próxima oportunidade.

9. Qual a diferença entre microagulhamento e micropuntura?

Podemos citar algumas diferenças baseadas em segurança e complicações, pois na literatura não há publicações. Embora haja indícios de bons resultados com uso do dermógrafo (pistola de tatuagem sem tinta), em contrapartida também se fala em complicações, como hipercromias e cicatrizes, devido à forma como a agulha do dermógrafo agride a pele, rasgando-a, diferente do roller ou da caneta, que formam canais homogêneos, e o tecido ao redor se mantém integro.

Negrão (2017) relata também que o único dermógrafo que pode ser comparado com o microagulhamento é o da marca Amiea®. Ele foi projetado com uma ponteira especial que é acoplada no equipamento, e trabalha na mesma dinâmica da caneta, promovendo perfurações sem rasgar a pele.

Experiência pessoal

Já trabalhei com o dermógrafo quando surgiu na Estética. E o deixei de lado logo quando conheci o microagulhamento, por alguns pontos que enxerguei na minha prática clínica:

O dermógrafo demandava muito mais tempo para completar a sessão (em caso de regiões corporais como estrias e flacidez). O microagulhamento, por outro lado, se mostrou muito mais produtivo.

Eu não tinha a absoluta certeza do tamanho da agulha que estava usando e da profundidade real que a agulha estava atingindo. Era “no olho”, e isso me trazia insegurança.

A dor, quando utilizado o dermógrafo, era muita mais intensa e irritante, comparada ao uso do microagulhamento. A lesão também é completamente diferente, e se observa uma diferença na homogeneidade dos resultados e das aplicações.

A micropuntura se torna interessante quando queremos trabalhar rugas e linhas pontuais. Porém hoje com a chegada da caneta ao Brasil, e suas diferentes quantidades de agulhas, podemos trabalhar com mais segurança e assertividade. Por isso hoje eu não uso mais a técnica do dermógrafo. Mesmo para trabalhar regiões mais específicas, o uso do roller trará resultados excelentes.

6 Comentários


  1. Parabéns Mari. Amo olhar seu blog. Me abre muitas idéias vc ajuda muito logo nós q estamos começando . Obrigada mesmo!

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  2. Ma, excelente dicas. Tem acrescentado muito na minha prática clínica. Parabéns ! Muito sucesso pra você, que Deus continue te abençoando.

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  3. Gostei bastante desse formato de artigo em podcast.
    Estava com várias dúvidas sobre o microagulhamento e foram todas respondidas.
    Muito obrigado!
    Continue com esse formato.

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    1. Obrigada Rodrigo, eu também amo podcast e fico feliz que tenha te ajudado com suas duvidas, se surgir mais pode mandar aqui que vamos desvendando juntos!

      Responder

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